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<title>Iluminadas</title>
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<copyright>Copyright (c) 2005, sapaso</copyright>
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<title>Tema do trabalho de IPC</title>
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<summary type="text/plain">No dia 8 de Março celebrou-se, mais uma vez, o Dia Internacional da Mulher. Pessoalmente, franzo um bocado a sobrancelha a iniciativas deste tipo, pois a discriminação pela positiva não deixa nunca de ser discriminação. Estamos ainda muito longe de...</summary>
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<![CDATA[<p>No dia 8 de Março celebrou-se, mais uma vez, o Dia Internacional da Mulher. Pessoalmente, franzo um bocado a sobrancelha a iniciativas deste tipo, pois a discriminação pela positiva não deixa nunca de ser discriminação.</p>

<p>Estamos ainda muito longe de viver numa sociedade em que os papéis de género deixem de fazer sentido, embora seja bastante optimista em relação às gerações mais jovens. Julgo que será com os mais jovens que estes muros serão, por fim, completamente demolidos.</p>

<p>Até lá é prioritário que haja uma reflexão sobre a evolução do papel da mulher na sociedade &#8211; por um lado enquanto agente social activo propriamente dito e, por outro lado, necessariamente indissociável, enquanto imagem feminina que nos é devolvida pelos media. </p>

<p>Partindo da constatação da necessidade desta reflexão, surgiu a ideia de fazermos um trabalho de investigação que permitisse analisar as circunstâncias em que a mulher aparece na televisão, muito especificamente nos Telejornais portugueses.</p>

<p>A nossa ideia é assistirmos durante cerca de quinze dias (o período temporal ainda não foi definitivamente delimitado) a todos os Telejornais nacionais (referimo-nos aqui ao Telejornal da RTP 1, ao Jornal da Noite da SIC e ao Jornal Nacional da TVI; o Jornal da RTP 2 foi excluído por ser uma versão mais curta do Telejornal, por isso redundante) e enumerarmos exaustivamente todas as notícias em que sejam referidas mulheres, bem como descrevermos sucintamente as circunstâncias dessas referências.</p>

<p>Por exemplo: a mulher é referenciada por ter sido vítima de um crime ou por o ter perpetrado? É entrevistada na qualidade de especialista em alguma área? São referidas as suas habilitações académicas? Em que tipo de assuntos é mais frequente a presença de mulheres nas notícias? E assim por diante. </p>

<p>De forma a arrumarmos estas ideias e definirmos de forma bastante clara os parâmetros que pretendemos analisar, estamos a tentar formular uma espécie de ficha de visionamento dos Telejornais, de forma a facilitar também essa tarefa.</p>

<p>Em relação à bibliografia, julgo que teremos todo o interesse em consultar o Centro de Documentação da APF &#8211; Associação do Planeamento Familiar, que tem uma Delegação em Faro e tem publicado e divulgado bastantes artigos sobre o papel de género.</p>

<p>O mote está lançado. Aceitam-se e agradecem-se as sugestões e comentários de todos.</p>

<p><b>Cláudia Silva</b></p>]]>

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<title>Temos opção, ou talvez não...</title>
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<modified>2005-03-22T17:08:28Z</modified>
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<summary type="text/plain">Todos entrámos no curso de Ciências da Comunicação com a convicção de que no quarto ano tínhamos a possibilidade de escolher uma das três vertentes disponíveis, comunicação social, comunicação empresarial e comunicação cultural. Mas a verdade é que as coisas...</summary>
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<![CDATA[<p><justify>Todos entrámos no curso de Ciências da Comunicação com a convicção de que no quarto ano tínhamos a possibilidade de escolher uma das três vertentes disponíveis, comunicação social, comunicação empresarial e comunicação cultural. Mas a verdade é que as coisas não são bem assim e, pelo que nos tem sido dito, uma destas vertentes não abrirá com toda a certeza no próximo ano lectivo.</justify></p>

<p><justify>Para comunicação empresarial não há dúvidas, quase toda a turma parece querer seguir esta vertente e pelo que já me disseram são só vinte e cinco vagas (temo que sejamos mais); para comunicação social também existem alguns interessados (talvez não mais pelo medo do desemprego); pelo que, contas feitas, será a vertente de comunicação cultural a não abrir.</justify></p>

<p><justify>Sinceramente, não me parece justo. Apesar de serem poucos os alunos a quererem seguir esta área os que querem parecem-me bastante certos de ser esta a sua escolha, e chegam agora à recta final do terceiro ano e têm de escolher não a vertente de que mais gostam, mas sim excluir a que menos gostam (talvez até pensem pedir transferência, o que seria compreensível já que só assim podem seguir o seu sonho). </justify></p>

<p><justify>Claro que entendo que com poucos alunos é complicado abrir uma vertente, mas também não concordo que todos possam escolher menos este pequeno grupo de pessoas. Só é pena que estas coisas não sejam logo ditas no momento de inscrição no curso, pois todos os locais onde pesquisei não me alertavam para esta situação, mas se calhar foi só a mim, não sei, só vocês me podem dizer.</justify></p>

<p><justify>Pessoalmente não me fez diferença, pois a minha opção não corre o risco de não abrir (o meu medo é até que sejamos demais), mas fez a outras pessoas da tua turma, o que na minha opinião é suficiente para não considerar justo.</justify></p>

<p><strong>Sandra</strong><br />
</p>]]>

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<title>Estou de olho em ti...</title>
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<![CDATA[<center><img src="http://razak.no.sapo.pt/iluminadas/olho_em_ti.jpg" /></center>]]>

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<title>Salva uma vida!</title>
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<summary type="text/plain">Ao inscrever-se como dador de medula óssea poderá salvar uma vida, entre várias que esperam por um dador compatível, como é o caso de um jovem louletano de 21 anos, estudante na Universidade do Algarve. Basta que seja saudável, tenha...</summary>
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<![CDATA[<p><i>Ao inscrever-se como dador de medula óssea poderá salvar uma vida, entre várias que esperam por um dador compatível, como é o caso de um jovem louletano de 21 anos, estudante na Universidade do Algarve. </p>

<p>Basta que seja saudável, tenha entre 18 e 45 anos de idade e que se dirija, no próximo dia 26/02/2005, à Clínica do Carmo em Faro, preencha um formulário e colha uma amostra de sangue. </p>

<p>Sem qualquer risco para o dador, um pequeno gesto da sua parte fará toda a diferença para o doente. </p>

<p>Para informações mais detalhadas pode contactar o CEDACE (Centro de Histocompatibilidade do Sul),pelos telefones 218823534 ou 218823535, ou consultar o site <a href="http://www.chsul.pt" target="_blank">www.CHSul.pt</a>.</i></p>

<p>Há uns dias atrás recebi este e-mail e pareceu-me bastante interessante dividir esta informação com todos aqueles que por aqui passam. Ultimamente tem passado na televisão algumas notícias sobre casos de pessoas que sofrem de leucemia e que procuram desesperadamente um dador de medula compatível. Se queres ajudar mas tens algumas dúvidas quanto ao processo consulta o site acima referido. Dia 26, nós podemos fazer a diferença.</p>

<p><b>Sandra Pereira</b></p>]]>

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<title>Um clássico... sempre actual!</title>
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<modified>2005-02-09T12:56:35Z</modified>
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<summary type="text/plain">&quot;Este governo não cairá porque não é um edifício, sairá com benzina pois é uma nódoa.&quot; in &quot;O Conde de Abranhos&quot; de Eça de Queirós Cláudia Silva...</summary>
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<![CDATA[<p>"Este governo não cairá porque não é um edifício, sairá com benzina pois é uma nódoa."</p>

<p>in "O Conde de Abranhos" de Eça de Queirós</p>

<p>Cláudia Silva</p>]]>

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<title>&quot;Fahrenheit 451&quot; - Recensão Crítica</title>
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<modified>2005-02-28T18:53:50Z</modified>
<issued>2005-01-28T10:40:23Z</issued>
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<summary type="text/plain">Ficha Técnica Título: “Fahrenheit 451”; Autor: Ray Bradbury; Tradução: Mário Henrique Leiria; Edição: vol. nº 66, Colecção Mil Folhas, Jornal Público, Editora Mediasat/Promoway Portugal Comércio de Produtos Multimédia Lda., Porto, 2003 (a partir da cedência de direitos das seguintes edições:...</summary>
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<![CDATA[<p><strong>Ficha Técnica</strong></p>

<p><strong>Título:</strong> “Fahrenheit 451”; <strong>Autor:</strong> Ray Bradbury; <strong>Tradução:</strong> Mário Henrique Leiria; <strong>Edição:</strong> vol. nº 66, Colecção Mil Folhas, Jornal Público, Editora Mediasat/Promoway Portugal Comércio de Produtos Multimédia Lda., Porto, 2003 <em>(a partir da cedência de direitos das seguintes edições: Edição Original  - Ray Bradbury, 1953; 1ª Edição em Português - Editora Livros do Brasil, 1956)</em></p>

<p><br />
Ray Bradbury nasce em 1920, em Waukegan, Illinois (EUA). Em 1934, muda-se com a família para Los Angeles, para onde o pai, operário eléctrico, tinha partido em busca de trabalho. É em Los Angeles que, em 1939, funda uma pequena revista de ficção científica, juntamente com outros apaixonados do género. Começa a escrever contos, enviando-os para revistas especializadas que, frequentemente, os publicam. Em 1950, publica o seu primeiro volume de contos, “Crónicas Marcianas”, que tem um grande sucesso, depois suplantado por “Fahrenheit 451” (1953). A partir dos anos sessenta, começa a trabalhar intensamente como encenador cinematográfico, não abandonando nunca, contudo, a literatura. Entre as suas numerosas obras, destacam-se: “O Homem Ilustrado” (1951), “Os Frutos Dourados do Sol” (1953), “O País de Outubro” (1955), “A Cidade Fantástica” (1957), “As Máquinas da Alegria” (1964), “Muito Depois da Meia-Noite” (1976), “A Morte é um Acto Solitário” (1984), “Memórias do Crime” (1984) e “Cemitério de Lunáticos” (1990). </p>

<p>	O cosmos literário de Ray Bradbury parece pautar-se pela criação e busca incessante de universos paralelos ou alternativos ao que conhecemos. A sua apetência pela ficção científica e o facto de a sua formação académica não ter ido além do ensino secundário parecem ter feito dele uma espécie de génio autodidacta. Bradbury passa a estudar sozinho, em casa ou em bibliotecas e adquire uma série de conhecimentos que lhe permitem reflectir sobre o que o rodeia, criando e imaginando sociedades e ambientes fantásticos. O mundo dos anos 50 tinha ainda muito frescos na memória os horrores da Segunda Guerra Mundial, do Holocausto e das duas bombas atómicas lançadas sobre o Japão. O avanço tecnológico era já uma realidade e a televisão tornava-se, com sucesso, um entretenimento muito popular. É neste contexto que surge “Fahrenheit 451”. Cinquenta anos depois, esta obra de Bradbury parece fazer ressoar nas nossas mentes uma espécie de profecia, prestes a ser cumprida.</p>

<p>	“Fahrenheit 451” é uma novela de ficção científica, e pode ser incluída no rol de narrativas distópicas contemporâneas. A primeira metade do século XX é muito fértil neste tipo de narrativa, que se caracteriza, (no essencial e tal como o nome indica), pela descrição de um lugar ou situação imaginários em que tudo é negativo, por oposição ao conceito de utopia. Este último remete-nos para uma proposta ideal de organização da sociedade, em que, através de novas condições económicas, políticas e sociais, se pretende alcançar um estado de satisfação geral. Neste sentido, podemos dizer que a utopia é uma projecção futurista do antigo mito da “Idade de Ouro”, que teria existido num passado remoto.</p>

<p>	Em termos gerais, as narrativas utópicas tratam de modo optimista os temas da condição humana, do progresso e do futuro da Humanidade. No entanto, e citando Robert Elliott, “A utopia de uns é o pesadelo de outros”, pelo que são precisamente as características da utopia que engendram o seu oposto - a distopia. Pretendendo regulamentar todos os aspectos da vida em sociedade, a utopia tem, por natureza, que excluir a excepção, o factor individual, porque isso perturba a ordem ideal. Uma sociedade perfeita pára no tempo e a evolução não existe. É assim que surgem as amargas narrativas distópicas, como um grito de alerta para os perigos de um futuro mundo opressor, desolador e sem esperança, em que o interesse particular é inevitavelmente esmagado pelo interesse colectivo e em que as massas devoram o indivíduo. Gostaria, no entanto, de frisar que “Fahrenheit 451” não é totalmente pessimista, uma vez que o autor teve o cuidado de, no final, deixar aberta uma janela de esperança para o futuro. Como exemplos de outras narrativas distópicas do século XX, temos: “Nós” (1922), de Eugene Zamyatin, “Admirável Mundo Novo” (1932), de Aldous Huxley e “1984” (1948), de George Orwell.</p>

<p>	A obra abre com uma curta explicação sobre o seu título. Numa frase, o autor explica que “Fahrenheit 451” é “a “temperatura a que um livro se inflama e consome…”. A narrativa está dividida em três partes distintas, todas com título: 1 – “A fornalha e a salamandra”, seguido do subtítulo “Queimar era um prazer”, 2 – “A peneira e a areia”, 3 – “Ardente e claro”.</p>

<p>	“Era um prazer muito especial ver as coisas arderem, vê-las calcinar-se e mudar.” (p. 9) É assim que nos é apresentado Guy Montag, um bombeiro que, em vez de apagar fogos, os ateia sobre livros e que desempenha esse papel com bastante prazer. O governo proíbe a posse e a leitura de livros, e uma nova tecnologia permite a construção de casas ”ignífugas” (à prova de fogo) - daí a nova função atribuída aos bombeiros. A acção decorre num futuro indeterminado, numa cidade situada algures nos Estados Unidos da América.</p>

<p>	Certa noite, ao regressar do trabalho, Montag conhece Clarisse Mclellan, uma adolescente que é sua vizinha. Clarisse abre os olhos de Montag para um mundo totalmente novo. A jovem pára para cheirar as folhas das árvores e fala realmente com as pessoas, gosta de passear a pé, de conversar, de sentir a chuva na cara, de olhar para a lua e de esfregar dentes-de-leão no queixo, de observar os pássaros e de coleccionar borboletas… Além de ser considerada como anormal e louca pela sociedade, é também considerada “anti-social” pelo governo e proíbem-na de frequentar a escola.</p>

<p>	Montag fica intrigado com a personalidade da jovem, mas começa a gostar do seu olhar fresco e novo sobre o mundo e começa também a reexaminar a sua vida. Montag habitua-se à sua presença e às suas ideias até que um dia ela não aparece. Mais tarde, Montag descobre que ela tinha sido morta. Montag revolta-se e começa a questionar os fundamentos da sua sociedade. Quando lhe ordenam que queime uma casa cheia de livros, cuja proprietária se recusa a abandoná-la, Montag chega aos seus limites, como se estivesse à beira de um abismo. No dia seguinte acorda com febre e arrepios e decide não ir trabalhar. Beatty, o astuto capitão dos bombeiros, guardião convicto da nova ordem de coisas, vai visitá-lo. Parece saber, instintivamente, o que se passa na cabeça de Montag. O diálogo que ocorre entre os dois, nesta visita, é um dos mais interessantes da obra (a par dos diálogos com Faber), e é através das palavras de Beatty que obtemos o maior número de informações sobre a sociedade retratada.</p>

<p>	Montag está desolado, devastado e emocionalmente transtornado. Tenta encontrar apoio, compreensão e compaixão junto da mulher, mas esta prefere passar o seu tempo junto da sua “família” virtual, uma versão futurista de televisão interactiva, com outras amigas, que também são “conformistas fanáticas”. </p>

<p>	A história dá várias voltas surpreendentes. O leitor descobre que Montag tem estado a surripiar livros e a escondê-los de toda a gente, na sua própria casa, dentro de um ventilador. Montag encontra-se com Faber, um professor de literatura reformado e procura uma forma de começar a espalhar livros – dá-lhe uma edição da bíblia e algumas centenas de dólares, para que um amigo do professor, um antigo impressor, possa publicar várias cópias da mesma. Montag vê-se forçado a confrontar o seu capitão, que tenta confundi-lo e pô-lo de novo do lado dos bombeiros. Montag percebe que Beatty sabe dos livros e vê-se forçado a fazer decisões sobre a sua vida, à medida que esta se desmorona, estrondosamente, à sua volta. Tudo isto tem como pano de fundo a ameaça de uma guerra nuclear iminente.</p>

<p>       “Fahrenheit 451” aborda de forma notável o potencial criador e ao mesmo tempo destruidor do homem para com o mundo que o rodeia e para com o seu semelhante. É sobretudo interessante acompanhar o percurso da personagem principal, Guy Montag, que inicia a novela como mais uma peça da engrenagem, começa a questionar esse papel ao conhecer Clarisse e, por fim, já plenamente convicto e com a ajuda de Faber, salta da engrenagem como uma mola desgovernada, voltando as costas ao mundo ao qual parecia estar conformado.</p>

<p>	O cenário aqui desenhado é um dos mais inquietantes jamais concebidos pela ficção científica – sem seres alienígenas, naves espaciais ou armas mirabolantes, aquele mundo lívido e opressivo que deveria garantir o bem-estar universal assalta-nos como se pudesse, um dia destes, olhar para nós e envolver-nos na sua espiral de <em>controlo</em>, <em>perseguição</em> e <em>terror</em>.</p>

<p>	O <em>controlo</em> é exercido por um governo que promove o entretenimento como forma de vida, anulando todo o apetite do espírito. As pessoas não têm tempo para pensar, não conversam umas com as outras nem contactam com a natureza. Em vez disso, passam horas em frente à televisão, cuja programação, de tipo interactivo, é projectada nas paredes das casas; têm constantemente introduzida nos ouvidos uma espécie de micro rádios e conduzem carros a altas velocidades, nas auto-estradas, para descontracção.</p>

<p>É também promovido o desporto e todo o tipo de competições; proliferam as fitas desenhadas, os filmes, os comic-books, as revistas eróticas a três dimensões, os jornais corporativos. Os livros começam a ser resumidos gradualmente, até não restarem mais do que um punhado de linhas – desta forma nivelam-se os conteúdos e garante-se uma igualdade artificial, em que nenhuma minoria sinta os seus interesses ameaçados. </p>

<p>As salas de espectáculos apresentam somente shows de palhaços; os edifícios são guarnecidos com paredes de vidro e reflectem cores atractivas; a arte é toda abstraccionista, os museus deixam de apresentar qualquer tipo de obra figurativa; nos cafés, existem joke-boxes, uma versão actualizada das antigas juke-boxes - em vez de música, passam repetidamente anedotas e histórias supostamente divertidas. </p>

<p>Existem parques de atracções, onde as diversões consistem em empurrar pessoas, partir vidros na barraca no “Quebra Vidros”, virar carros no “Demolicar”, manobrando uma gigantesca bola de aço ou ainda conduzir automóveis a altas velocidades com o objectivo de tentar atropelar galinhas. </p>

<p>Nas escolas, os alunos são submetidos a várias horas de programas televisivos “educativos”, intercalados com aulas de desporto e transcrições de história ou pintura; as pessoas tomam constantemente doses excessivas de comprimidos para dormir e há relatos de várias tentativas de suicídio. Vive-se no imediato e as pessoas agarram-se aos “clubes, às reuniões, aos acrobatas, aos prestidigitadores, quebra-cabeças, carros a reacção, motogiroplanos, ao sexo e à heroína”, em suma, a “tudo o que não obrigue senão a reflexos automáticos” (p. 64).</p>

<p>	Bombardeadas com tanta informação e tanta actividade inútil, mas que dão a falsa sensação de “movimento”, as pessoas, na realidade “apenas se arrastam”. Foram moldadas ao sistema, estão conformadas, não questionam nada, pois têm a falsa sensação de uma vida preenchida e feliz. Neste cenário, os livros deixaram espontaneamente de ter leitores – para quê atormentar o espírito com dúvidas existenciais, com assuntos filosóficos, com estudos sociológicos, com poesia melancólica, com romances cheios de personagens imaginárias que não existem na realidade? Os livros são vistos com fonte de sofrimento, pois obrigam a pensar e estão cheios de contradições - factos insuportáveis para um espírito habituado à mínima actividade autónoma possível, embriagado, numa espécie de hipnose colectiva. A personagem de Mildred, a mulher de Montag, e as suas amigas, encarnam na perfeição este cidadão-tipo, célula da grande massa anónima, que não questiona, não protesta, pelo contrário, está “feliz” com o actual estado de coisas.</p>

<p>	A dada altura, é institucionalizada a proibição de possuir ou de ler livros. Entra em acção a <em>perseguição</em> da “Vigília do Fogo”, cuja missão é “proteger o optimismo do nosso mundo actual.” (p. 65) Uma das ideias principais que a obra destaca é a da desintegração cultural da sociedade, o crescente desinteresse na ciência, na literatura e na filosofia – a combustão dos livros fica como uma metáfora poderosíssima desta degradação - “O fogo é brilhante, o fogo é limpo.” (p. 63) O fogo simboliza assim a morte da cultura.</p>

<p>	O <em>terror</em> acaba por nascer nos corações das pessoas que conseguem conservar a sua lucidez, neste cenário de histeria colectiva – vislumbramos o terror de Clarisse quando descreve as actividades abomináveis dos seus concidadãos, vemos o terror nascer dentro de Montag, quando este decide não fazer mais parte da engrenagem, assistimos também ao terror estupidamente calmo que emana da personagem Helen – a mulher que se faz imolar pelo fogo, dentro da sua própria casa repleta de livros.</p>

<p>Quanto à lucidez, não queria deixar de dizer algumas palavras breves sobre duas personagens totalmente distintas: Beatty e Faber. Beatty, o capitão dos bombeiros, demonstra uma cultura literária muito acima da média – o seu posicionamento ao lado do sistema parece ser uma escolha convicta e lúcida, como alguém que professa, de coração, uma fé cruel. Quanto a Faber, o professor reformado, a sua lucidez leva-o a rejeitar o plano mirabolante de Montag, de introduzir à socapa livros nas casas dos bombeiros, para que o sistema se devore a si próprio. Faber conhece bem os seus limites das suas capacidades contra um inimigo implacável e tenta mostrar a Montag que os livros não têm nada de mágico e que o que ele procura, pode encontrá-lo dentro de si.</p>

<p>	O estilo de Ray Bradbury é inconfundível – recheia os seus relatos de pormenores visuais, diria mesmo, cinematográficos. Desde as insígnias utilizadas pelos bombeiros, às características físicas destes, passando pelas descrições vívidas das actividades dos cidadãos, a criação de ambientes fantásticos e artefactos engenhosos, a tecnologia mirabolante, cheia de detalhes curiosos – nada é deixado ao acaso. A narrativa deixa-nos sempre em suspenso, sem sabermos ao certo qual o caminho que Montag escolherá trilhar. No geral, a linguagem é bastante acessível, com alguns elementos exóticos resultantes da introdução de neologismos associados à tecnologia.</p>

<p>	Se o propósito do autor ao escrever esta obra era o de propor uma reflexão sobre o mundo em que vivia e alertar as gerações vindouras para os potenciais perigos de pessoas menos bem intencionadas subirem ao poder, manipulando os media e controlando as massas, penso que este propósito foi magistralmente conseguido. É impossível lermos “Fahrenheit 451” e não traçarmos paralelos com o mundo em que vivemos hoje. Confronte-se ainda a escolha do título do célebre documentário de Michael Moore sobre o 11 de Setembro com o título desta obra.</p>

<p>Quanto à profética morte da cultura, materializada no desaparecimento dos livros, penso que é exagerada. Embora existam, especialmente desde o aparecimento da Internet, várias correntes que, qual arautos do mundo moderno, anunciam que os livros estão irremediavelmente condenados à extinção, o que é certo é que os novos meios tecnológicos têm contribuído para grandes avanços da liberdade de expressão, da participação do indivíduo no espaço público e da divulgação e transmissão de conhecimentos. Basta uma pequena pesquisa na Internet para ver a quantidade de sites com qualidade, dedicados à literatura ou aos movimentos de cidadania, só para citar dois exemplos.</p>

<p>	Uma palavra final para a janela de esperança que o autor abre no fim da obra, e faço minhas as palavras das personagens de Bradbury: que a cada dia tomemos tempo para nos olharmos ao espelho, demoradamente, e saibamos quem somos e o que estamos a fazer do nosso mundo. Que a Humanidade possa, qual Fénix renascida das cinzas, inaugurar uma Nova Era em que a Paz e o Conhecimento nos guiem a todos. Um desejo Utópico? Talvez, mas “Um mapa do mundo em que não aparece o país Utopia não merece ser guardado.” (Oscar Wilde)</p>

<p><strong>Cláudia Silva</strong></p>]]>

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<title>Escola Superior de Educação recebe: Rancho Folclórico da 3º idade – uma iniciativa de louvar</title>
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<summary type="text/plain">Num mundo em que cada vez mais as pessoas se parecem preocupar única e exclusivamente com os seus interesses pessoais, surgem-nos agrádaveis surpresas que nos permitem ter orgulho da sociedade em que vivemos. No passado dia 14, sexta-feira, foi com...</summary>
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<![CDATA[<p>Num mundo em que cada vez mais as pessoas se parecem preocupar única e exclusivamente com os seus interesses pessoais, surgem-nos agrádaveis surpresas que nos permitem ter orgulho da sociedade em que vivemos.</p>

<p>No passado dia 14, sexta-feira, foi com bastante agrado que pude constatar que um dos cursos da Escola Superior de Educação, nomeadamente o curso de Intervenção Comunitária, convidou o Rancho Folclórico da terceira idade a actuar na nossa escola.</p>

<p>Posso sem dúvida afirmar que foi uma iniciativa de louvar.<br />
 <br />
A Universidade não deve ser um espaço reservado a alunos mas sim um lugar que permita uma interacção com o mundo que nos rodeia. Se nos fecharmos num casulo dominado pela pretensão de que somos superiores a tudo e a todos, isso só nos poderá conduzir a uma existência egocêntrica e, por isso, oca e superficial.</p>

<p>Todos nós temos a consciência da exclusão social de que são vítima muitos idosos, e de que o seu abandono por parte da sociedade só os levará a uma vida triste em que se consideram rejeitados e abandonados por tudo e por todos.</p>

<p>Quando andava no 9º ano de escolaridade o meu trabalho da área escola passou por isto, visitar instituições, não só de idosos como de crianças e adolescentes; conheci uma realidade da qual não tinha noção e que me permitiu olhar este evento de uma forma muito positiva.</p>

<p>Este grupo de idosos veio-me mostrar que afinal a realidade não tem de ser cruel para eles; são pessoas divertidas, bem dispostas e que ainda têm muito para oferecer. </p>

<p>Pelo que pude assistir, e também pelo que pude percepcionar pela expressão dos meus colegas, aquele foi um momento de orgulho para a nossa escola. O ambiente instalado era muito alegre e, todos que quiseram puderam inclusive entrar no espírito, dançando com aquelas pessoas tão simpáticas. </p>

<p>Foi um momento divertido que Educação e Intervenção Comunitária nos proporcionou. Parabéns a todos pela iniciativa.</p>

<p>Aproveito ainda para elogiar as minhas colegas, que no âmbito da disciplina de Educação e Comunicação Interculturais estão a realizar um trabalho sobre a exclusão social dos idosos; na minha opinião isso revela uma forte preocupação social de todos os elementos do grupo. </p>

<p><br />
Sandra Pereira</p>]]>

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<title>&quot;Preisner: música, cinema e tubos de escape&quot;</title>
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<issued>2004-12-05T20:01:28Z</issued>
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<summary type="text/plain">Preisner fez duas alegorias muito sui generis, primeiro comparando um filme a um carro. Um carro, para trabalhar, disse, precisa de um condutor, de um motor e de um tubo de escape. O papel da música num filme, na sua opinião, é semelhante à deste último elemento, o tubo de escape. (Espanto geral…) Se estiver afinado, não damos por barulho nenhum e tudo corre às mil maravilhas. Se, pelo contrário, fizer muito barulho, é incómodo – mas o que é certo é que o carro anda na mesma! (Gargalhada geral…)</summary>
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<![CDATA[<p>É com prazer que inicio a minha participação neste espaço, para vos falar da oitava edição dos Encontros de Cinema, este ano com o tema “Ouvir cinema – a banda dos sons”.</p>

<p>Em representação do grupo “Iluminadas”, assisti à sessão das 22 h que teve lugar no Teatro Lethes (uma pérola arquitectónica da nossa cidade, diga-se de passagem), na passada sexta-feira, dia 3 de Dezembro. Esta sessão contou com a presença do compositor polaco Zbigniew Preisner, galardoado com vários prémios internacionais, que ganhou notoriedade com os trabalhos desenvolvidos para cinema com o realizador, também polaco, Krzysztof Kieslowski.</p>

<p>Antes de ir para a sessão, visitei o site oficial de Preisner (<a href="http://">www.preisner.com</a>) e achei muito interessantes as palavras com que o compositor nos saúda: </p>

<p>“ I DON’T THINK OF MUSIC IN TERMS OF DIFFERENT STYLES:<br />
THIS IS MUSIC FOR A MOVIE, THIS IS MUSIC FOR A CONCERT.<br />
FOR ME, THERE EXISTS ONLY ONE MUSIC: GOOD MUSIC.<br />
I ALWAYS SAY THAT I COMPOSE MUSIC WHICH I PERSONALLY<br />
WOULD LIKE TO LISTEN TO IF I HADN’T WRITTEN IT “</p>

<p>Alguns segundos depois abre-se a página principal e podemos ouvir excertos da sua música, que descrevo como: ao mesmo tempo densa, profunda e leve, ao mesmo tempo melancólica, triste e alegre – numa palavra: humana.</p>

<p>Confesso que, tirando Ryuichi Sakamoto e Michael Nyman (talvez pela grande projecção mediática que estes nomes têm), não conheço nem me lembro de ter especial curiosidade em conhecer quem está por detrás daquela banda sonora daquele filme, o que mostra como muitas vezes o trabalho dos compositores é esquecido, muitas vezes injustamente. E também muitas vezes, como Preisner fez questão de referir repetidamente, o seu trabalho é esquecido, desprezado e menosprezado pelos próprios realizadores e argumentistas, que se limitam a encomendar “uma música bonita”.</p>

<p>Já “conhecia” algumas das bandas sonoras feitas por Preisner para Kieslowski, nomeadamente para a famosa trilogia, uma vez que ao ver os filmes tive oportunidade de ouvir as suas composições. Gostei principalmente do “Azul”, onde Juliette Binoche tem um desempenho magnífico e onde a música de Preisner é, sem dúvida, personagem principal e activa no enredo, diria mesmo é o <em>leitmotiv</em> do filme, uma vez que tudo gira em torno de um compositor que falece num trágico acidente de automóvel, antes de terminar o seu último projecto: o hino da Europa. Binoche faz o papel de viúva que se agarra ao plano de terminar o projecto do falecido marido como a uma tábua de salvação – é ao mesmo tempo uma forma de perpetuar a sua memória e de ganhar forças para superar a sua perda.</p>

<p>A música de Preisner está sempre presente – é impossível dissociar este filme específico da sua banda sonora. No entanto, enquanto o nome de Kieslowski passou, para mim, a ser facilmente reconhecível, desconhecia por completo o nome do compositor. Isto para introduzir muito do que foi dito naquela noite sobre o papel da música e do compositor em cinema.</p>

<p>Uma das expressões mais repetidas por Preisner, para definir esta relação som/imagem foi “criação”, criticando ferozmente os produtos tipicamente comerciais que, na sua opinião são todos iguais. Exemplificou mesmo com dois dos últimos filmes que viu em DVD (não gosta de ir a salas de cinema), “Day after tomorrow” e “Troy” – disse que se fosse possível trocar as bandas sonoras, não se passaria nada, pois ninguém notaria, exactamente por não haver diferenças.<br />
Criticou também de forma veemente a vertente económica da grande indústria cinematográfica, exemplificando com os números astronómicos que são pagos aos actores célebres. Ora, se os produtores pagando milhões ao elenco e sem investimentos significativos em música, ainda conseguem ter lucros estrondosos, recuperando em poucas semanas o que investiram, para que é que se vão preocupar com a música? – desde que seja bonita ou agradável, não precisa de ser brilhante!</p>

<p>Para Preisner o importante é <em>criar</em> algo novo, não a partir das imagens dos filmes, mas do que <em>sente</em> ao vê-las, projectando e exteriorizando para a música a dinâmica interior resultante da <em>relação</em> por ele criada com aquele filme, aquela história, aquelas personagens – no fundo, explicou Preisner, o que ele procura no seu trabalho é <em>dar uma alma</em> ao filme.</p>

<p>Pode-se dizer que a música de Preisner se insere no campo da música erudita, fugindo dos cânones normais da música que se costuma fazer para o cinema das grandes indústrias. Algumas das palavras mais usadas pela professora Anabela Moutinho para a descrever foram: <em>nostalgia, lirismo e silêncio</em>. A partir de alguns excertos que foram mostrados na sessão pudemos confirmar estas ideias, especialmente o contraponto entre música e silêncio, que na minha opinião, Preisner usa magistralmente para exprimir sentimentos e emoções, para caracterizar personagens e situações, dando-lhes uma profundidade que doutra forma não seria possível alcançar.</p>

<p>Preisner fez uma analogia bastante elucidativa: tal como o realizador escolhe os actores para determinados papéis e vai alterando essa escolha, caso ache necessário e adequado, o compositor faz o mesmo com os músicos que escolhe para tocar a sua música.</p>

<p>Frisou ainda que quando compõe música para cinema, não compõe para a orquestra, mas sim para os solistas. A orquestra não é o mais importante, (é uma estrutura acessória tal como por exemplo, os figurantes), mas sim o solista que vai tocar esta melodia nesta cena, com este instrumento, pois é isso que vai transmitir individualidade, introspecção, concentrando a atenção num aspecto sonoro minimalista.</p>

<p>A professora Ana Soares, a dada altura, tentou perceber melhor como é que se passava, em concreto, o processo criativo musical, e qual o papel de Preisner ao trabalhar com os realizadores.</p>

<p>Em resposta, Preisner fez duas alegorias muito sui generis, primeiro comparando um filme a um carro. Um carro, para trabalhar, disse, precisa de um condutor, de um motor e de um tubo de escape. O papel da música num filme, na sua opinião, é semelhante à deste último elemento, o tubo de escape. (Espanto geral…) Se estiver afinado, não damos por barulho nenhum e tudo corre às mil maravilhas. Se, pelo contrário, fizer muito barulho, é incómodo – mas o que é certo é que o carro anda na mesma! (Gargalhada geral…) Em seguida disse que se sente como um tocador de realejo, exemplificando gestualmente como se estivesse a dar à manivela. (Mesmo se a manivela encravar, o filme continua a rodar.)</p>

<p>Penso que com estas imagens, carregadas de ironia, Preisner quis dizer que a música é muitas vezes esquecida ou relegada para segundo plano porque a audição não é, de facto, o sentido mais solicitado em cinema. No entanto, embora passe despercebida, a música tem um papel muito importante e decisivo. Papel este que Preisner parece ingenuamente querer ilustrar como inevitavelmente secundário, ao compará-lo a um tubo de escape, mas que, na verdade, defende como uma bandeira.</p>

<p>O compositor polaco, no geral, pareceu-me um pouco amargo e pessimista, desencantado com o actual estado de coisas no cinema e na música, saudosista até dos velhos tempos em que trabalhou com o já falecido Kieslowski.</p>

<p>A professora Anabela Moutinho, apercebendo-se desta postura, colocou-lhe uma questão curiosa: se tudo tinha dado tão certo com Kieslowski, nomeadamente a cumplicidade genial visível entre o trabalho de ambos, porque é que isso nunca mais voltou a acontecer?</p>

<p>A resposta de Preisner é também curiosa – “Nada acontece duas vezes.”</p>

<p>Gostei bastante de assistir a esta sessão, embora considere que tenha sido um pouco confuso e entediante o facto de Preisner falar ora em polaco ora em inglês, sendo que as intervenções em polaco eram traduzidas para português (por uma tradutora convidada) e ainda para inglês (de forma brilhante) pela professora Ana Soares. Compreendo a necessidade de tanta tradução, uma vez que estavam presentes convidados estrangeiros, que de outra forma não conseguiriam acompanhar a sessão, mas as conversas acabaram inevitavelmente por perder ritmo e por vezes, mesmo alguma coerência. A professora Anabela Moutinho também não me pareceu estar nos seus melhores dias, provavelmente a acusar cansaço depois de um dia inteiro a falar e a receber os convidados.</p>

<p>Porém, o balanço final desta sessão parece-me ser bastante positivo. Não me imagino a ver outra vez um filme sem prestar a atenção que a música merece (se não toda a música – a “boa música”, para utilizar as palavras de Preisner), sobretudo sem prestar mais atenção ao som, em geral. Espero também ter dado um pequeno contributo para que quem não tenha estado presente tenha ficado com uma ideia do que lá se passou.</p>

<p><strong>Cláudia Silva</strong><br />
</p>]]>

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<title>Titanic</title>
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<title>Olá</title>
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<![CDATA[<p>Ciências da Comunicação</p>]]>
<![CDATA[<p>Ciências da Comunicação</p>

<p>- Claúdia,Patrícia, Sandra, Soraya</p>

<p>O grupo Iluminadas deseja a todos um feliz 2005!!!<br />
</p>]]>
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